Itália: uma vinícola com um Castelo na Toscana – Barone Ricasoli

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No segundo dia de viagem do projeto My Tuscan Experience nós visitamos uma vinícola muito especial: a Barone Ricasoli. A vinícola Barone Ricasoli é a mais antiga da Itália, há 32 gerações a família produz vinho na região. Eles tem outras plantações de uva, mas aqui em Gaiole in Chianti os terroirs ficam ao redor do Castelo di Brolio, que está na família desde 1141. Foi neste local que em 1872 o Barão Ricasoli criou a primeira receita do vinho Chianti, que até hoje é produzido no local. Esta vinícola tem 230 acres de plantação ao redor do Castelo, é a maior produtora de Chianti Classico.

Nós fizemos o tour Classico, que é uma visita guiada pelo Castelo di Brolio por dentro (somente 4 cômodos) e por fora, passando pelos jardins, depois a área de produção dos vinhos, que é super moderna, e encerrando com a degustação (de 3 vinhos, sem comida).

Primeiro ficamos sabendo mais sobre quem era o Barão Bettino Ricasoli, que teve um importante papel na história e política da Itália (vindo a ser o segundo Primeiro-Ministro da Itália). Ele criou e aperfeiçoou a receita do vinho Chianti durante décadas, até chegar na combinação de 70% uvas Sangiovese, 15% uvas Canaiolo e 15% uvas Malvasia bianca. Atualmente o mínimo requerido para os vinhos da denominação controlada Chianti é 80% de uvas Sangiovese, mas pode ter até 100%. O vinho tem que ser produzido na área de Chianti delimitada pela associação de produtores, já que é um vinho DOCG (denominação controlada e garantida). O Chianti produzido na Barone Ricasoli é um Chianti Classico, que é ainda uma subregião dentro dessa área DOCG de Chianti, e apenas os vinhos produzidos nessa subregião podem ser chamados Chianti Classico e ter o selo gallo nero (galo negro) nas garrafas. É um selo de denominação controlada duplo! Para o Chianti Classico, as uvas utilizadas nos outros 20% variam entre as tradicionais italianas Canaiolo e Colorino ou as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot, entre outras uvas aprovadas, não são usadas mais as uvas de vinho branco na composição.

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O Castelo em si já vale a visita: a vista lá de cima é linda, e os poucos cômodos que são abertos ao público (e infelizmente não podem ser fotografados) são bem interessantes também, lindamente decorados (adorei as pinturas nas paredes, de padrões diferentes em cada cômodo). Uma sala de armas antigas, incluindo uma faca do século 13 e armas para as mulheres é a primeira a ser visitada. Depois passamos por uma sala que tem documentos importantes e o jornal fundado pelo Barão – ele queria que todas as pessoas votassem e soubessem ler, criou o primeiro jornal político da Itália para preparar as pessoas para votar. O terceiro cômodo é um quarto que foi criado para uma visita do Rei que durou poucas horas, o Rei não chegou a passar a noite ali. E por fim, a última sala mostra os trabalhos de pesquisa de Ricasoli, ele estudava o solo para aprimorar a produção de vinho, tentou achar uma solução para uma praga na plantação (mas sem sucesso) e foi ali que escreveu a primeira receita de vinho Chianti Classico. Também visitamos a pequena igreja e cripta da família nos jardins do Castelo.

Entrando no Castelo di Brolio
Entrando no Castelo di Brolio
A parte de tijolos vermelhos ainda é usada como residência da família algumas vezes por ano
A parte de tijolos vermelhos ainda é usada como residência da família algumas vezes por ano
O Castelo foi reformado no estilo gótico de Siena pelos idos de 1800
O Castelo foi reformado no estilo gótico de Siena pelos idos de 1800
A Capela do Castelo, que tem a cripta da família Ricasoli
A Capela do Castelo, que tem a cripta da família Ricasoli
A capela por dentro, lindinha
A capela por dentro, lindinha

A vista do alto da muralha do Castelo é incrível, as colinas toscanas cobertas por plantações de uva, ao lado do jardim tradicional que fica ao pé da muralha. O Castelo foi ocupado por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e mesmo depois de reformas, a família Ricasoli resolveu deixar os furos de balas em algumas paredes externas para que todos sempre lembrem do que aconteceu.

O jardim do Castelo e as plantações de uva para o vinho Chianti Classico
O jardim do Castelo e as plantações de uva para o vinho Chianti Classico
Vista da muralha do Castelo
Vista da muralha do Castelo
As marcas de balas da Segunda Guerra Mundial ainda são visíveis
As marcas de balas da Segunda Guerra Mundial ainda são visíveis
Nada mal essa vista, hein?
Nada mal essa vista, hein?
Muralha, jardim e algumas oliveiras a esquerda
Muralha, jardim e algumas oliveiras a esquerda

A nossa guia era alemã e falava muito bem inglês, explicou todo o processo de produção moderno deles (usando gravidade ao invés de simplesmente amassar as uvas como era feito antigamente), o tempo e o que acontece com os vinhos ficam em cada passo do processo e no final vimos os vinhos prontos nas garrafas para serem vendidos (em garrafas diferentes para exportação – e até mesmo em caixas para certos mercados que preferem essa embalagem!).

Conhecendo o processo de produção da Barone Ricasoli
Conhecendo o processo de produção da Barone Ricasoli
As barricas onde os vinhos envelhecem
As barricas onde os vinhos envelhecem
A linha de engarrafamento e etiquetamento estava parada
A linha de engarrafamento e etiquetamento estava parada
Centenas de garrafas de Brolio Chianti Classico prontinhas
Centenas de garrafas de Brolio Chianti Classico prontinhas

E aí fomos para a degustação, os três vinhos que provamos foram: Torricella IGT (que é outro tipo de denominação controlada, nesse caso geográfica, enquanto a DOCG controla não só a geografia quanto a fórmula do vinho), Brolio Chianti Classico e Casalferro IGT. O Torricello é um vinho branco, 75% Chardonnay e 25% Sauvignon Blanc, as uvas são plantadas fora da área Chianti Classico, perto do rio. O Brolio é um Chianti Classico “básico” (não é envelhecido tanto tempo como um Riserva, por exemplo), tem 80% de usas Sangiovese e 20% de uma combinação das outras 4 uvas (Colorino, Canaiolo, Cabernet Sauvignon e Merlot). E o Casalferro IGT é um vinho 100% Merlot, que tem um longo período de envelhecimento, e vem das melhores vinhas. Se as uvas não estão com a qualidade adequada em um determinado ano, eles simplesmente não produzem esse vinho. Eu gostei dos três, o Casalferro foi o que eu achei melhor, simplesmente porque não estou acostumada com o sabor das uvas italianas tanto quanto com as uvas “internacionais”, como Merlot e Cabernet Sauvignon que são velhas conhecidas. 😉

Entrada para a degustação de vinhos
Entrada para a degustação de vinhos
Recepção do local de degustação
Recepção do local de degustação
Os vinhos da Barone Ricasoli que nós provamos na degustação
Os vinhos da Barone Ricasoli que nós provamos na degustação

Se você já não está convencido que essa visita vale a pena – um Castelo bacana, linda paisagem, vinícola importante, bons vinhos, o que mais poder ter nessa história? Eu apresento a Osteria del Castello, um restaurante dentro da propriedade que foi um dos melhores almoços que fizemos na viagem. A comida estava deliciosa, estou aqui salivando só de lembrar e olhar de novo as fotos! Fiquei depois com remorso que não provei uma das sobremesas deles, mas já não estava aguentando mais comer nada mesmo…Primeiro veio uma bruschetta com prosciutto, perfeitinha. Depois um ovo pochê divino com trufas, espinafre e pecorino, com uma fatia de pão toscano (que não tem sal, aliás esse pão foi uma das poucas coisas que eu não gostei na comida, em nenhum dos restaurantes achei bom). Um tortelli de ricota com pesto de acelga e tomates frescos delicioso em seguida, e quando achava que não podia ficar melhor, bochecha de vitela cozida lentamente com um molho de vinho, aspargos, cenoura e um tipo de couve, desmanchando na boca. Estava tudo muito bom, recomendo com certeza.

Chegando a Osteria del Castello
Chegando a Osteria del Castello
Nossa mesa na Osteria del Castello
Nossa mesa na Osteria del Castello
A comida estava excelente, quero voltar um dia
A comida estava excelente, quero voltar um dia
Nos despedindo do Castello di Brolio, visto da estrada.
Nos despedindo do Castello di Brolio, visto da estrada.

Informações úteis:
Barone Ricasoli
Preços por pessoa do tour Classico que nós fizemos (em abril de 2014): Adultos € 25, Adolescentes entre 13-18 anos € 12.50 e crianças não pagam.
Outros tours estão disponíveis, consulte o site para mais informações e reservas.
A nossa visita guiada foi em inglês, eles obviamente tem visitas em italiano, e outras línguas podem ser solicitadas com antecedência (mas eles tem que confirmar disponibilidade). Todas as visitas guiadas tem que ser agendadas com antecedência pelo site, o tour Classico que fizemos tem duas horas de duração.
Se você quiser fazer apenas a degustação, não precisa de reserva.
A Osteria del Castello oferece um menu a la carte (com pratos de massa na faixa de 10 euros e de carne entre 15-20 euros) ou menu degustação de 40 ou 50 euros por pessoa (4 pratos e 2 vinhos ou 5 pratos e 3 vinhos, respectivamente).

Minha viagem a Toscana aconteceu a convite do projeto My Tuscan Experience, falei sobre ele aqui.


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8 COMENTÁRIOS

  1. Estou indo com meu marido em setembro para a Itália e vamos fazer a região da Toscana. Gostaríamos muito de fazer essa visita no castelo. Como marcamos.

  2. Fantástico! Irei com certeza! Você pode me tirar uma dúvida, que não encontrei no site do Barone Ricasoli? Como faço pra chegar na vinícola? Há serviço de transfer até lá, ou eu preciso pegar um táxi/trem/ônibus até lá?

    Obrigada!

      • Olá! Primeiro obrigada pelas dicas! Eu estou indo em abril, já reservamos a visita guiada, porém vamos de carro e não consigo achar a localizaçao exata do castello, vocês foram de carro? Tiveram alguma dificuldade?
        Obrigada!

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