São Luís: na “Atenas Brasileira” a cultura está na rua

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Foto: Mariana Oliveira

O Centro Histórico revela que a cultura está viva e não é só coisa de museu e sala fechada. O Maranhão é um espaço de transição interessante entre o Norte e o Nordeste, que resulta numa cultura mista e ao mesmo tempo singular. Traz a marca das colonizações holandesa, francesa e portuguesa, e a resistência de povos indígenas e quilombolas. A capital, São Luís, tem muitos apelidos, dentre os quais Atenas Brasileira, Jamaica Brasileira, França Equinocial e Cidade dos Azulejos. Nomes que já entregam um pouco do que esperar deste lugar que entrou para minha lista de favoritos.

Foto: Juliana Koch

Uma das primeiras coisas que gosto de fazer quando chego a uma capital é visitar o mercado municipal (ou mercado central, como é chamado em alguns lugares). Em São Luís, porém, senti que a Casa das Tulhas (R. da Estrela, 171) cumpre melhor a função de apresentar a cidade. Trata-se de um mercado circular do início do século XIX em que se amontoam bancas de cachaça, camarão, artesanato e outros produtos regionais. Ótimo para almoçar ou encontrar a galera pra fazer um esquenta.

Ficamos hospedadas na Casa Frankie (Rua do Giz, 394) casarão antigo e todo reformado, a 300 metros do Mercado Central. A hospedaria conta com uma piscina, churrasqueira e cozinha compartilhada. As diárias saem a partir de R$100 para o casal. Dá vontade de adiar as explorações turísticas e ficar curtindo o ambiente.

Foto: Mariana Oliveira

O Centro Histórico é colorido, ainda mais na proximidade das festas juninas, que enfeitam as vias de bandeirinhas. A cultura em São Luís se movimenta, está nas muitas galerias, nas roupas, nas ruas.

Foto: Juliana Koch

Saia rodada de chita, sandália de couro, camisa de algodão, bolsa de crochê, chapéu de palha. São Luís se veste de cores e jeitos muito próprios. Uma cultura não difundida apenas entre os mais velhos, mas também – e talvez até com mais afinco – entre os jovens. Em um estado que mais de 70% da população se declara negra, o black power domina, junto dos rastas e das tranças. Bem como na Bahia, o sincretismo entre o cristianismo e as religiões de matriz africana é fortíssimo.

Era época de Festa do Divino e fomos até a bela igreja da Sé acompanhar uma das celebrações. Crianças vestidas em trajes nobres sentavam-se na primeira fileira, representando o império, enquanto mulheres, a maioria senhoras, vestiam camisetas padronizadas como de escolas de samba e empunhavam tambores. Terminada a missa, seguimos em procissão até a Rua do Giz, soltando fogos em cada esquina. As caxeiras entoavam cantos de rimas ritmadas nos tambores. Chegamos ao museu Casa da Festa (Rua do Giz, 221) para uma cerimônia muito parecida com as do candomblé (lá chamado de tambor-de-mina), em que eram oferecidas guloseimas aos impérios e as caxeiras dançavam, cantavam e tocavam.

Foto: Mariana Oliveira
Foto: Mariana Oliveira

Caindo a noite, deixamo-nos guiar pelos ouvidos. A música ecoa pelas ruelas estreitas ladeadas de casarões coloniais revestidos de tinta ou azulejos coloridos. Tambores, orquestras, reggae. Abandonamos roteiros e seguimos os sons. Assim, chegamos primeiro ao Senzala (Av. Magalhães de Almeida, 180), no Reviver, que sempre tem música ao vivo na praça. Há outros bares igualmente populares nos arredores. Ali é o centro da vida noturna ludovicense.

Foto: Mariana Oliveira

A poucos metros, no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho (Rua da Feira Praia Grande, 162), há todas as quintas-feiras um tambor de crioula frequentado por velhos, adultos e jovens. Uma das frequentadoras é Patativa, respeitada compositora maranhense que lançou seu primeiro álbum os 77 anos. Ao lado de moças e rapazes de saia rodada, a senhora de chapéu de bamba dança reverenciando os batuqueiros. Foi lá que conhecemos a maioria das figuras que viríamos encontrar ao acaso seguidas noites pelo Centro. Do fim da tarde ao início da noite, um grupo do Centro de Criatividade dá oficinas de tambor na Praça da Pacotilha.

Foto: Juliana Koch

Outro ponto de encontro de música é a Fonte do Ribeirão (Rua do Ribeirão, S/N). Construída no século XVIII, a fonte tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é palco de ensaios de Bumba Meu Boi e rodas de samba.

Foto: Mariana Oliveira
Foto: Mariana Oliveira

Andando pela rua Portugal, que tem a maior concentração de casarões azulejados – de modo que você pode pensar a certa altura se está em Lisboa – é possível comprar lembrancinhas e artes nas diversas galerias. Há também museus, como a Casa do Nhozinho (R. Portugal, 185), onde pudemos entender melhor a cultura maranhense: músicas, danças e artesanatos. Depois de aprender que o boi bumbá não é algo padronizado, que há diferentes sotaques (ritmos, a grosso modo) e dentro deles diferentes grupos, vimos na rua não só os dançarinos, mas toda plateia seguir com facilidade passos complexos de influência indígena e africana. Muitas canções por nós desconhecidas eram cantadas em coro, como “Evidências” em um karaokê qualquer do País. Terminando a viagem, que começou meses em Manaus, São Luís atestou meu sentimento de que o Brasil é, realmente, gigantesco e plural. É preciso dedicar-se a conhecê-lo.

Foto: Mariana Oliveira

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